Juliana Sfair


25/11/2009


Rua deserta

  

Hoje choveu fininho aqui,choveu aí também?A sua rua molhada combina com a minha.

Combina com essa ausência larga,do tamanho da sua rua, a frente da sua casa.

Essa ausência tem corroído os dias de primavera,despedaçando flores e secando pólens.

Agora o silêncio forçado,essa indiferença injusta me enjoa e faz pensar se é a sua rua que quero ainda.

Lembranças que coleciono nas boates ao som do Blues,mesmo com a vontade de correr para longe e ouvir jazz baixinho em algum canto desta cidade onde tudo parece pedaços seus.

Pedaços nos estacionamentos,nas avenidas,nos parques,nos escombros invisíveis.

Há tempos chove fininho na minha saudade,que fere o amor bonito.E caso demore algum tempo para que eu ouça novamente

sua voz tímida,tentarei suprir sua falta assistindo pela milésima vez Casablanca-nós sempre teremos Paris.

Então com uma calma aparente e olhos distantes,cito Caetano:”Lindo e sabe viver”.

Escrito por Ju Sfair às 10h00
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21/11/2009


A bela dos Deuses

Ela contava castelos em seus sonhos, corria pelas alamedas em seus devaneios noturnos. Sentia a chuva e o vento gelado dançarem junto ao seu corpo jovem e belo.

Seus dentes brancos, perfeitos, branco neve. Possuía uma cútis rosada e uma expressão feliz.

Respirava lentamente, agradecendo o ar, o sopro, a queda e a luz. Respirava encantada com tanta vida,que transbordava pelos seus olhos e que até mesmo as lágrimas que ás vezes molhavam seu rosto eram bem vindas.

A moça de alma plena e corpo perfeito, não desejava riquezas por riquezas somente; ela queria o mistério das batidas do seu coração, queria louvar aos Deuses pelas paisagens que avistava da sua casa.

Ela estava além destes anseios por ouro e poder, pois entendia que para ser feliz precisava dos anjos, cachoeiras, bondade e brilho nos olhos.

A felicidade dela estava nos pequenos detalhes e gestos; no mamão picadinho, no carinho, no anoitecer e em tudo que refletisse uma elevação de pensamentos.

A inteira harmonia era encontrada nos latidos dos cães, nas lavadeiras que cantavam á beira do riacho, no pôr do sol lento.

Apesar do belo e do sedutor, ela desejava mais fontes de energias, ela fazia o bem e esperava os acontecimentos com uma calma encantadora; como se soubesse o que viria. Mas isso nunca foi afirmado pelos moradores da redondeza.

Guardava caixinhas e sais, cultivava violetas, comia pitangas e deslumbrada com tanta beleza, adormecia querendo baile de máscaras e torta de maçã com canela.

 

Escrito por Ju Sfair às 14h10
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18/11/2009


Um mate gelado para o Poeta

 

 

Entrei naquele lugar sagrado onde as palavras brincam,choram,adormecem ,ferem ,fazem chorar e colorem vidas.

Precisava obter a obra mais recente do grande autor, do meu irmão de axé, especialmente humano e dolorido, sarcástico e iluminado.

Rodei, vacilei e quis disfarçar meu desejo de correr pra casa e não sair até a última página.

Desde então;ele começou a andar comigo e fazer parte dos dias, das minhas loucuras e da agitada vida que levo, que quero e não espera ninguém.

E durante esse tempo, o jornalista me chamou no Messenger logo cedo e disse:

-“Escrevi uma poesia de madrugada, gostaria de mostrá-la”

Fiz uma expressão como quem diz: "logo cedo, meu amigo que é infinitamente crítico, quer me mostrar uma das suas poesias lindas, vamos lá".

Eu disse:

-“Tudo bem querido, manda!”

Logo em seguida ele disse:

-”Sinta-se privilegiada, porque você é uma das raras que converso pelo Messenger”.

Logo que li, respondi:

-”Que linda poesia, você está parecendo com Rimbaud ou Augusto dos Anjos”.

Guardei as poesias que ele sempre me mostra, salvei os e-mails, seus conselhos editoriais. Isso,porque ele diz que é meu Editor.

Encerrou o nosso diálogo assim:

-”Vou sair agora, andar, entrevistar gente. Um beijo”.

Vivenciei aquele dia tão leve e feliz e mesmo que se lá fora estivesse nublado, dentro de mim era “ verãozão” carioca, intenso, denso.

Rio 4O°C purgatório da beleza e do caos.

Está valendo a pena essa doideira, os amontoados de papéis, de textos, de anotações, frases grifadas de rosa e amarelo, frases grifadas com minha lapiseira azul clarinha, bem adolescente.

Fica tudo misturado na minha memória, um liquidificador de citações inesquecíveis.

Percebo que as pessoas mais interessantes não ficam amostra desfilando com seus Abadás por aí, elas ficam em exílio e basta a gente se exilar algumas vezes também para conhecê-las.

Igual ao exílio que me permiti para devorar as palavras mais recentes do autor predileto, dos exílios que permaneço para criar histórias e textos.

E com uma atitude extremamente egoísta, deixo também meus amigos exilados no meu peito para ter dias de verão carioca, com direito a mate gelado e poesia a lá Augusto dos Anjos.

 

Escrito por Ju Sfair às 16h44
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12/11/2009


Levezas

 

Esse azul tão lindo e limpo do céu, às vezes causa uma nostalgia injusta,quando tudo fica assim perfeito,eu sinto medo porque não sou capaz de parar o tempo.

Parar um céu azul, as folhas, sorrisos e brincadeiras em uma tarde de calor.

Aquela gargalhada solta, sem culpas pela beleza do momento, a água escorrendo pelos meus cabelos, molhando delicadamente cada parte do meu corpo.

Será que as crianças vivem sempre no verão?Porque todas elas sorriem sem dores escondidas, sem medo do que virá.

Quero o verão todos os dias, tardes com banho de mangueira, sorvete, amigos e amizades coloridas; porquê não?

Beijo de todos os sabores e temperaturas, festa pra alegrar, para agradecer o Rei Sol, pra lambuzar de esperanças as tardes cinzentas que aparecerem esporadicamente.

Filtro todos os desejos e ares novos, devolvo em forme de paz de espírito esses momentos que revigoram corpo e mente.

E desculpe a franqueza, depois do sorvete de pistache e alguns olhares de carinho, eu sinto dizer que não faz mais sentido carregar você aqui no peito.

Encontrei outras levezas por aí.

Escrito por Ju Sfair às 14h48
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05/11/2009


Claquete

 

 

Hoje senti uma dorzinha sei lá de quem ou do quê, deixei assim um pouco escondido os roteiros finais.

E aqui dentro da minha casa, dos meus encontros e desencontros, guardo umas cores bonitas que misturei para nossa nova vida. Fiz tudo com capricho,escolhi cada tom e separei os quadros das nossas paredes.

Você combina com uma decoração clean, bem suave e pouca. Por isso os tons pastéis eu embalei pra te dar,mesmo se a casa ficar sozinha,vazia te esperando,saiba que os espaços e os castelinhos `são seus.

Na entrada eu plantei flores amarelas, pra dá uma prosperidade, um certo conforto aos nossos desejos, mas se quiser a gente pode plantar umas violetas e não se preocupe porque flores e rosas ficam amigas num piscar de olhos.

A colcha tem cheirinho de banho e travesseiros fofinhos, na escrivaninha coloquei Fernando Pessoa e Vinicius pra gente ler e encantar a alma, os olhos e romantizar amores eternos, desses de filmes sabe?

Deixei um bloco de papel para anotações diárias, canetas, uma luminária e bem: fique á vontade pra ler, escrever ou sonhar criancices modernas.

Chás: de camomila, hortelã, carqueja e mate. Essas ervas curam e mandam embora as impurezas que algumas pessoas possuem ao invejarem uma escrivaninha e um jardim simples,porém harmônico.

E essa tarde o céu estava tão azul, que eu queria ter te encontrado nas colinas, nos açudes ou nas estradinhas de terra.

Poxa ficou tudo tão bonito, que dá “dorzinha” deixar que o pó invada as xícaras e nossos livros, a colcha vai perder o cheirinho de banho se ficar mais de uma estação te esperando.

Finalizei o roteiro e agora fica impossível não ter você pra encenar. Cada diálogo fiz pensando nas suas expressões;é que os autores-escritores-roteiristas  geralmente quando começam a escrever já sabem pra quem.

Eu escrevi pra você, defini o cenário e te espero pra bater a claquete.

Um beijo, um chá, um romance.

Escrito por Ju Sfair às 00h37
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02/11/2009


Sob Alta Vigilância

  

Minha estranha sensação durante àquelas horas entre realidade e alucinação, os pés descalços, as flores, os vestidos e as vozes que invadiam meus ouvidos cansados.

A letargia contagiou a todos, sonolência, buraco, olhos vagos e tudo o que queria era ajeitar minhas idéias e ir embora.

Será que eu não soube interpretar o texto? Impossível, não me enganaria assim, depois de inúmeras leituras e encenações na frente do espelho, no meu secreto desejo.

Comecei a me questionar, a indagar minha capacidade de entender e reconhecer um drama psicológico, mas será que eu não sei nada de drama?

Quero esquecer Persona, Sonata de Outono; preciso reler a idolatrada peça. Tenho que rever tudo aos poucos e com cautela,aprofundar em cada linha,absorver até as intenções sepultadas e jamais descobertas.

Talvez eu dramatize demais os acontecimentos e acabo ficando por fora da verdade textual.

Agora que tive certo distanciamento da obra; consegui relaxar na cadeira, tomar uma água com gás e tive a ilustre idéia de dormir com todos os dramas psicológicos em baixo do travesseiro, preciso protegê-los, não posso deixar que roubem os subtextos ou ignorem a dor, a escrita do jornalista, a coragem de abordar assuntos tão à frente do seu tempo.

É como se eu tivesse que trancar as portas e não deixar nada sair, porque só assim eu conseguirei salvar a dignidade dos mitos literários.

Vou fazer isso e está decretado que á partir de hoje meus queridinhos estão sob alta vigilância.

Fiquem com as serpentinas, o violão e as perucas, mas, por favor: “me devolvam o Cartola!”

 

Escrito por Ju Sfair às 00h55
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28/10/2009


Á Francesa

 

Cresce e murcha, explode e enfraquece, como se a vida pudesse ser colocada em um potinho e usada aos poucos, para não gastá-la, não perdê-la.

São rompantes de euforia com alguma melancolia por uma tarde inteira, esperando á noite como se na lua existisse algo mágico e supremo que mostrasse o caminho para então adormecer tranqüila.

Essas esperanças que criamos para enfeitar um pouco o tédio e a descrença. Não quero ser pessimista, alias não sou assim, mas quero fundir todos os sentimentos avessos que criam raízes se a gente não sacudir a sensatez de vez em quando.

Eu não desisti, nem deixei de lado, apenas moderei para caber no peito. Há séculos a moderação é bem aceita e ser ponderável é sinal de inteligência.

Pondero, não para aparentar inteligência, como se tivesse que provar o tempo todo algo para os demais humanos que convivo; mas pondero objetivando praticidade.

Pondero a vontade, a crença, a ingenuidade, a emoção e os desejos. Em relação á quê?Em relação á tudo que me desgasta, quando o que eu mais necessito é de um tempo ausente.

Fui embora, mas deixei minhas palavras e humor negro, minha amizade e meus melhores planos. Fui embora á francesa, pois não notaram minha suave despedida.

Tenho tanto nas gavetas, nas pastas e no coração, que de tanto querer, agora simplesmente descansam as folhas e adormecem as linhas.

Morreu algo lentamente, eu permiti de uma forma lúcida. Era o momento, havia chegado à hora; não senti dor e nem chorei porque o desânimo era imenso.

Olhei para baixo e depois para o céu e dali vi a cidade iluminada, respirei e lentamente encostei a cabeça na parede.

Procurei a estrela mais brilhante e entreguei á ela minhas vontades e dedicação, um dia sem esperar tudo volta em forma de luz e de um jeito definitivo.

Só que agora nada vai voltar, porque não deixo, porque carreguei o peso injusto e meu corpo está exausto, mas expulsei de mim as mazelas como se exorciza demônios.

A terra gira em torno de si mesma, então decidi ficar de fora observando seu movimento lento e perfeito, mesmo que a impressão seja contrária.

Confirmo que a atual essa rotação não me agrada mais, fui conhecer e balançar nas redes de outras galáxias e planetas.

E quando sentir que está na hora de voltar, não será necessário aviso, porque na concepção de muitos, eu nunca parti.

 

Escrito por Ju Sfair às 17h49
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19/10/2009


Alongamento Ocular

Todas as dores musculares que torturam meu corpo a cada aula de Fit Ball, todo esse imenso calor que sinto no trânsito, toda a vontade de esgoelar quando preciso de um pouco de paz, mas a vida não deixa e eu me pergunto se quero paz o tempo todo.

Quero apenas o silencio relaxante, no qual eu possa sentir minha respiração, as batidas do meu coração e encostar minha lombar corretamente no chão sem relaxar o abdômen.

Exijo tanto do meu corpo e ainda mais da minha cabecinha complicadamente tensa e congestionada.

Quero a perfeição de tudo, minha perfeição. Não me interessa se a cor do meu cabelo agrada á todas as minhas melhores amigas;ou melhor interessa sim,mas eu quero que cada fio que cuido com todo o carinho deste mundo me agrade também.

Agüento todas as dores, fisgadas, puxões, controle de apetite, enxaquecas e roxos nos joelhos, para poder me olhar no espelho e dizer: mulher, você é quase de aço.

Aço e açúcar, que complicado ser de açúcar também, porque entristeço ao ver os cachorros de rua, os catadores de papéis; essas pessoas invisíveis que a pressa não deixa a gente notar a existência deles. Eu noto,eu sofro junto na mesma intensidade das dores musculares.

Sofro, porque quero salvar os esquecidos e esqueço que não conseguirei levar o peso do mundo nas minhas costas de aço, porque são toneladas de humanos massacrados pela miséria.

Ás vezes quando estou de saco cheio dos papos intelectuais, ligo a televisão e vejo concurso de pagode sem nenhum problema e faço parte de outro mundo imensamente diferente do meu.

E quando vejo as lágrimas verdadeiras molhando o rosto do grupo vencedor, me emociono junto porque valorizo a luta, a garra, o querer “ser” sem medir esforços.

Então fico feliz pela vitória alheia e ali naquela emoção nenhum intelectual vai poder introduzir suas frases de efeitos, porque eu não vou escutar. Pessoas extremamente intelectualizadas (bitoladas) me inspiram desconfiança e então analiso o comportamento,porque modéstia á parte;mas tenho longos anos de estrada para isso.

O que me deixa realizada é essa forma de conhecer todos os guetos e poder escolher os meus.

Se não critico, então posso lindamente ser fútil da mesma forma que passo horas conversando sobre IDH do Brasil (Índice de Desenvolvimento Humano).

A culpa da minha futilidade quando reclamo para minha fisioterapeuta dos alongamentos desumanos que faço; essa culpa eu não preciso mais senti-la com tanta veracidade, porque abraço o mundo com suas glórias, shoppings e misérias. Eu sinto tudo e devoro as dores e luzes com meus olhos de açúcar.

 

 

Escrito por Ju Sfair às 10h17
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12/10/2009


Dois passos á frente

Duas vezes eu vi você de costas, mas não sei se foi um esforço imenso da minha imaginação, ou se era verdade mesmo. Então fiquei parada,com o coração disparado e uma certa vertigem confundia os planos da realidade e emoção.

Pouco me importa as vertigens, as ânsias e essa procura incessante de querer um abrigo qualquer.

Andei nas noites, nas ruas lotadas de buracos nos asfalto às vezes grande, como o vazio que compromete minha existência.

Senti os cheiros da infância, do feijão, do queijo prata, do plástico, do giz – o cheiro da minha rua.

Eu tinha medo de robôs, medo de ficar na escola e medo de fantasmas que por intuição de criança, dormiam embaixo da minha cama.

Imaginava musicais no meio da rua, criava minhas dancinhas e tudo preenchia e transbordava em suspiros.

Esse vazio que a vida adulta não preenche me causa mal estar, cólera e quero fechar meus olhos e janelas para essa realidade torta que cobra mais e mais da minha frágil criança com medo dos robôs humanos e fantasmas que já não pertencem mais ao campo da imaginação, são verdadeiros e correm para todos os lados me segurando quando tento escapar desta selva.

Selva esta que me desorienta e não encontro o caminho pelo qual eu pretendia seguir, mas sinceramente me esqueci do caminho e da chegada; tenho mais fascínio pelo jeito que encontro de burlar as regras e desconfiar das armadilhas que chegam em forma de palavras e atitudes.

E você de costas, com uma blusa preta. Porque eu continuei descendo as escadas?Porque eu não assumi minha vontade?

Cortei a vontade com uma navalha e não sangrei; mas ainda penso em voltar aos lugares em que possa te ver de costas, como se assim você pudesse ignorar esse mundo hipócrita e também minha cruel imaginação.

A partir de hoje ficarei de costas para as tolices que criei com a finalidade de suprir horas doloridas e a partir de hoje estarei te olhando por todos esses corredores e borrifando meu perfume sempre dois passos á sua frente.

 

 

Escrito por Ju Sfair às 00h31
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04/10/2009


Rasguei,rasgarei sempre

 

Eu não encontro outra forma de olhar para esse mundo que transborda prédios, indústrias, corredores, morte, vida, árvores e mesmo assim é incapaz de me confortar quando fico confusa; porque tenho ocupações, mas fico horas questionando todos os amores que vão embora como um trem bala.

Amores que ficam surrados, esgotados de tanto desprezo e sumiços covardes.

Nas ruas congestionadas, nos elevadores, nas farmácias, boates, feiras sempre haverá um olhar de desejo, um flerte ou um esbarrão em que o mundo pára, e a gente na ingenuidade acreditamos em encontros amorosos iguais a roteiros de cinema.

Roteiros maravilhosamente escritos e dirigidos, mas nesta vida absurdamente real, as cenas de romances ficam cada vez mais frias e meu cérebro elabora quinhentas perguntas sobre os relacionamentos e as pessoas.

Ler muito me deixou louca e desconfiada, mas quando o céu fica cinza e as blusas que cheiram a naftalinas são retiradas das gavetas; também lembro de como seria perfeito romances de inverno e príncipes que vivem nas páginas dos livros de capa dura.

Então a covardia começa a fazer parte de mim, porque inverno tem fim, assim como minhas perguntas sobre sumiços covardes. Logo surge outras inquietudes que consomem minhas energias,palavras e certamente esqueço o roteiro perfeito.

Começo a tentar resolver o porquê da minha preguiça filosófica em levantar da cama, e sinto tudo diferente, como se minha mente fosse um alien questionador.

Um alien que cobra perfeição em todas atitudes, um alien manipulador que não me permite pelo menos passar as primeiras horas do dia sem me sentir culpada pela roupa que deixei jogada no chão.

Decidi que não me comparo mais ás outras pessoas que são felizes nas primeiras horas do dia; não que eu seja triste, mas eu não tenho vontade de sorrir para agradar, quando dentro do meu peito tudo ainda está bagunçado.

Essa minha obsessão em querer respostas automáticas sobre todas minhas dúvidas; então assumirei um comportamento de gente alucinada para ser igual às outras pessoas, pra sorrir igual boba da corte, ficarei quieta e meiga na ânsia conseguir um homem educado que me apresente para os amigos dele sem medo das minhas reações espontâneas.

Escutarei daqui para frente e todos os dias aquela voz doce da Sandy, observarei seus gestos delicados e quem sabe eu deixe lado esse jeito mulherão e assuma uma pose de princesa indefesa.

Princesa indefesa, princesa covarde! Rasgue esse vestido de gola até o pescoço, e deixe aparecer todas suas neuras e sorrisos escandalosos.

Pegue a covardia que te sufoca e manda ela embora, quem sabe ela não encontre um abrigo nos roteiros água com açúcar e superficiais.

 

 

 

 

 

Escrito por Ju Sfair às 22h05
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29/09/2009


Cabe eu,cabe você

 

 

Olhando meu mundo, querendo fazer parte do seu mundo, eu me sinto tão diferente até mesmo nas palavras que saem da sua boca. Há tanta coisa encoberta ainda,tanto pra viver e conquistar.E pelo menos,hoje e por esses dias eu gostaria que de alguma maneira um laço bem bonito existisse entre nós,mas sem apertar ou fazer sofrer.

O que existe dentro de você pode não ter muito haver com a histeria que encaro os fatos, porque choro facilmente nos filmes, novelas, livros; não me envergonho de ter esse emocional tão amostra, nada contido.

E agora começo a ter medo de mim, por ser assim.Muitos sorrisos,lágrimas,brigas,abraços e paz.

Neste mundo deve existir alguém que combine com tudo isso que compõe minha essência inquieta, infantil e atrevida. E sinceramente,você bem que poderia me levar ou voltar sempre que precisar de sorrir sem medo e julgamentos alheios;eu aceito a loucura das pessoas e respeito suas válvulas de escape.

Queira-me com carinho, com encanto e se um dia estiver longe, que possa lembrar de como era bom mesclar equilíbrio e maluquices sem tamanho. Garanto que sentirá uma saudadezinha discreta,porque assumir e escancarar sentimentos é para uma espécie raríssima, os incompreendidos pelo resto do mundo que sonha em  construir mais prédios e enterrar as poesias.

Rejeitei por anos a moça que mora aqui, a moça que ouve musica e dança sozinha, porque pensei que ela um dia se transformaria em uma mulher séria, do tipo que não sorri facilmente e não sonha mais com naves, fumaças, balões e aplausos.

Mulheres assim existem e são perfeitas para alguns, mas depois de me culpar por ser desse jeito, me peguei querendo correr pelos jardins e acreditando em gente como eu.

Ontem você fez parte das minhas rezas, mas não invoquei palavras, apenas pensei; é isso pensei e deixei tudo ser como deve ser. Talvez quem sabe,nas noites ou no trocar das estações minha imagem apareça na sua retina cansada deste mundo tenso e injusto.

Um dia, sem datas ainda; vou morar perto das ondas, perto das montanhas que faz parte de um cenário imenso, uma cidade linda e desejada por mim.

Intelectuais não combinam com escolas de samba, você deve se questionar. Baby,eu sou tudo o que amo,não negarei minhas vontades por vergonha do mundo ou por medo das caras retorcidas reprovando minhas atitudes.

Quero o som da bateria descompassando meu coração, mares e dias de sol e chuva. E depois para confundir posso citar Ligia Fagundes Telles,Lispector ,Nelson Rodrigues.Está tudo aqui em mim,sou grande demais para ser uma só,

E nessa grandeza, cabe eu e você, tem espaço para devaneios, realidade e o que mais trouxer. Cabe; eu garanto.Mas não me peça pra desocupar meus espaços;não desfaço deles e queria guardar você;ou melhor eu ainda quero.Livre e meu,meu e livre sempre.

 

Escrito por Ju Sfair às 11h44
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26/09/2009


To: Menina-mulher lá da Capital

  

Esta semana chegou ao final, pensei em te escrever todos esses dias, mas ás vezes não tinha tempo, outras vezes me faltavam palavras.

Logo cedo, te mandei ótimas vibrações, como se eu já pressentisse que estaria precisando.

Enfrentamos tudo, sem nenhuma folga um respiro que seja. E eu me pergunto se somos fortes demais ou se a gente não desaba porque já acostumamos com as tsunamis e furacões que invadem nossos dias.

Senti você desanimada, pelas palavras de tédio e a aquele esforço enorme que vem fazendo parar levantar da cama, caminhar pelas ruas e permanecer oito horas no escritório que fica no extremo da sua casa.

O que me deixou surpresa foi a sua fraqueza no final da tarde, a forma nebulosa que está enxergando a vida

Não entendi, ou melhor, não aceitei essa fraqueza que nunca combinará com você. Moça de SAMPA, minha amiga da Capital,arreda esse baixo astral que está te rondando,toma um banho de guiné e sal,canta suas músicas,suas rezas.Vai mulher o que é isso? Pega aí seu diploma tão fresquinho ainda, orgulhe-se.

Chama a Laurinha e põe Xuxa bem alto pra espantar os tristezas, pule com ela aí.

Cadê a chapinha? Quero maquiagem neste rosto e perfumes.Enfeite-se oras. Pensamento bom, roupas brancas pra usar amanhã, e suas energias vão começar a voltar, daqui mando pensamentos porretas de forte e de bom.

Antes de dormir, farei a aquela reza de levantar defunto e receba todas as cores claras e esperanças novas.Ninguém virá nos levantar amiga, tem vida lá fora!Sei lá, dá uma volta na Paulista, Ibirapuera; tem tantos lugares interessantes nesta cidade cinza, mas cultural acima de tudo.

Resgate seu velho e imbatível humor negro conte  novamente as suas piadas e solte gargalhadas.

Muito cedo pra abandonar essa luta.E convenhamos: é quando o desanimo vem avassalador que surgimos enorme perante á vida.

A flor que me pediu, vai pelo correio semana que vem. Guarde-a bem,com carinho,já estive com ela apresentando peças;interpretando textos e autores sagrados.

Disse que estou com certa velhice precoce, mas a verdade é que cansa ficar gastando saliva á toda , nestes lugares lotados.Prefiro meus textos,minhas dogs, ballet e a novela do Maneco.

Semana lenta,sonsa e fudamental para algumas decisões que eu adiava . Há um certo momento que tudo precisa valer a pena,sabe quando a gente sente e percebe que não dá pra perder tempo com prosa?Pois é, sempre detestei prosas aleatórias, pessoas manipuladoras  que por pura carência  pensam que o mundo é só isso aqui; apenas uma página, como se não houvessem outras folhas de cores e tamanhos diferentes espalhadas pela vida.

E você também deveria rasgar algumas páginas amareladas que eu sei que guarda. Rasgue,jogue no lixo e esqueça:pessoas,dores,frustrações e negatividade.

Sentimentos amarelam; amizades e amores também mofam. Limpe as estantes da vida.

Admire novos dias, luas, ventos. Tudo começa a fluir quando expulsamos mágoas que nos aprisionam.

Alongue-se, tome um banho demorado, chá de camomila se gostar e segura a barra daí, que eu seguro daqui.

Domingo é dia de festa; então não esqueça dos três pedaços de bolo,três doces e um, dois ou três novos amores com granulado pra você.

 

Escrito por Ju Sfair às 00h20
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20/09/2009


Completamente Blue

  

Pintei vermelho, amarelo e marrom. Colori de azul os dias para ganhar proteção e luz.

O véu vermelho ficou no chão, mas entrei mesmo assim. Entrei pra provar que quando se tem fé e boas intenções não há barreiras e olhares perversos que resistam.

Eu queria um colo que me prometesse que essas situações fossem criações da minha mente, imaginação boba e medo infantil.

Adormeci. Não lembro como foram os momentos antes dos meus olhos se fecharem,queria correr pra fora desta terra suja.

Me resgataram,cuidaram de mim.Não pedi absolutamente nada,só queria continuar ali naquele silêncio que equilibra os chacras e devolve minhas energias.

Ouvi os tambores e os ritos. Reclamei de dores nos pés;então banharam com rosas e açúcar.

O que me fortalece é que quando fujo do caos; encontro abrigo, cheiros e áureas claras, bem clarinhas.

E por falar em claridade, ele não voltou. Ele também é bem clean,mas não foi feito pra mim.Sinto que não há pessoas feitas para as outras,creio que há cumplicidade,amizade e amor,mas que pode romper e quebrar á qualquer momento.

Presenciei tantas alegrias de amor e sinceramente não levo muito á sério este desejo, porque talvez amanhã eu levante com vontade de sambar, fazer aulas de pole dance e comprar uma micro saia.

Infelizmente não consigo ficar nesta obsessão de encontrar um Romeu; porque deve ser um porre agüentar um homem que pensa mil vezes antes de soltar uma frase que seja.

Um tédio ser recatada, educada e gentil, mesmo quando a situação está desfavorável e se me permitem:não admito pitacos nos meus textos, livros, musicas e nas minhas esquisitices que fui adquirindo durantes estes anos.

Por exemplo: eu tenho dois chinelos, um pra sair do banho e outro pra andar pela casa.

E, não me perguntem o porquê!Não sei ,talvez eu tenha tendência ao TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Com tantas manias, nenhuma áurea permaneceria bem clarinha. Haja paciência.

Por isso quuando fico querendo o príncipe clarinho; meu subconsciente manipulador sempre me livra dos cavalos brancos e juras eternas.

Estabeleci um trato com o destino; nos Domingos á tarde manda o Romeu, que a gente conversa sobre literatura, Nostradamus e sentamos em algum parque.

Ele dirá que meus cabelos estão cheirosos, meu perfume é suave e que está feliz em me ver; eu também direi alguns elogios e pronto.

Quando começar a anoitecer e eu já estiver cansada de bancar a Julieta (Oh! Romeu amar-te-ei pela eternidade), surgirá um cavalo lindo e robusto que virá buscá-lo, e seguirá para o reino encantado. Reino este que eu nunca soube aonde fica e nunca me interessei em procurar,vai que eu encontro!Eu hein!

Após a tarde romântica e digamos de época, eu voltarei para minhas manias, delírios e provalmente depois de uns dias por uma questão de  frescura ,eu queira novamente alguém bem clarinho; mas com a certeza de que quando o sol estiver se pondo o fiel cavalo apareça pra levá-lo. Tenho mais o que fazer querido Romeu.

Regar minha aroeira, tomar banho demorado, pintar a entrada a minha casa de azul e amarrar no pulso uma fita vermelha.

Sinto que querem secar meu jardim, mexer nas folhas e provocar as forças ocultas e a lua de São Jorge revela que há pessoas com faces de Sininho, Chapeuzinho Vermelho e Peter Pan,mas que não passam de vermes infelizes; porque se alimentam de restos.

 

 

 

 

 

Escrito por Ju Sfair às 21h40
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12/09/2009


Não se mova

 

 

Eu escrevo nas madrugas encobertas de dores, medos e sonhos. Transformo palavras em cura.

Curo meus males internos enquanto descarrego nas linhas a angustia atordoante deste tic-tac do relógio. Não tenho medo de amanhecer aqui sentada,tenho medo de não sentar aqui por não ter nada pra escrever.

Esse é meu medo; o de não ter porradas pra contar ou inventar.

Chá verde ao meu lado, copo de água também, jornais de ontem, textos, um porta retrato e uma vela amarela aromática. Estive no subsolo do teatro,quis permanecer ali deitada no palco,sorrindo,chorando,mas vivendo.Vivendo da forma mais alegre que escolhi.Escolhi pertencer ao mundo das pessoas consideradas esquisitas,doidas e intensas.

Ninguém me obrigou ,então eu saio quando quiser, mas não quero. Quero ficar.

Hoje decidi, estou de mudança para o subsolo, qualquer subsolo.

Preciso me sentir protegida das ventanias furiosas que querem me arrastar pra longe de todas as máscaras coloridas, da cadeira e do brilho.

Peguei a mala; e coloquei meus dias de dedicação, memórias, aplausos, trilhas sonoras, personagens e textos.

Tudo pronto, vou partir. Tem lugar pra essa jovem;eu sei que tem.

Moço por favor, abra a porta, está escuro aqui fora, tem árvores e folhas no chão e vai chover.

Moço corre porque eu tenho pesos imensos além da mala,tenho pesos secretos de todos que passaram pela minha vida. Me salva,por favor?

Olha eu sei que não é urgente, mas está doendo meu coração, parece que ele quer saltar. Só possuo essa mala e minha loucura,mas sou fiel aos me querem bem.Me queira bem,moço!

É que se eu abandonar a mala e loucura, deixarei de ser eu, então leve junto todo a minha bagagem pesada e surtos.

Tenho surtos pra nós dois, tenho remédios pra gente dormir, tenho histórias de bastidores pra te contar.

Tangos eletrônicos pra gente dançar ou Billie Holiday se preferir. Venha, talvez no meio desta versatilidade de que sou composta,exista algo que o prenda pra sempre junto á mim.

Não precisa ser pra sempre, mas pode ser uma paixão avassaladora que marque por tempos minha eterna autenticidade em você.

Tem romances, gritos e sussurros, minha vida sem mim. Se não quiser posso contar alguns segredos meus,que te fará sorrir e esquecer suas noites em claro.

E se acaso no meio de um tango você escutar estalos, não se assuste “eles” também ensaiam suas peças aqui, perambulam por todos os camarins e tomam conta da entrada principal.

Não estranhe meu mundo imperfeito, fique aqui enquanto suportar e se gostar após alguns dias de convivência; venha comigo moço. Abra a porta do coração,está ventando aqui fora e se chover borra minha maquiagem e molha meu vestido florido.

Abra a porta aos poucos, me deixe mostrar quem sou devagar, sendo que devagar não combina comigo.

Não fuja, nem tente!Encontrei a passagem secreta, não se mova.

Posso te ferir com frases duras, perfurar com punhais suas doces idéias de meninas perfeitas e te envolver eternamente no meu sedutor desequilíbrio.

Quieto!

 

 

 

 

Escrito por Ju Sfair às 03h39
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04/09/2009


Pra quem quiser ver

 

Sentada aqui, olhando os telhados molhados, o céu escuro; eu penso na melhor maneira de fugir do querer. Este querer egoísta,que exige você nos dias longos,nas noites rápidas e nas esperas de não sei o quê.

Essas esperas que nós costumamos criar e nutrir para compensar o tédio que ás vezes pula na frente da tela em tardes solitárias.

E eu comecei a ver histórias de amor, romantizar palavras, desejar casamento na praia e essa tal felicidade.

Enchi minhas mãos de conchinhas, caminhei nas pedras e deixei as brisas que vinham do oceano tocar em meu corpo. Cheguei na cabana solitária,que fica na praia mais deserta.

Cabana essa que representa meus profundos medos e desejos. Aquela necessidade da solidão para refletir,para encontrar a paz.

Eu ando por todos os lugares com você, suspirando e idealizando passeios, ilhas, frio, colo e lareiras. Mas fazer parte de mim é outra coisa.Uma questão muito mal resolvida por todos esses anos.

Te aceito envolvente, percorrendo mundos comigo, transitando entre a realidade e a ficção de amores jovens entregues ao tempo. Quero sua atenção e elogios,nas salas,nos quartos e nas festas que acontecem na cobertura.

Brindo tudo o que nos une; essa sua consciência dos atos, seu olhar assustado nas minhas alegrias repentinas e melancolias passageiras.

Preciso de uma vez por todas, conquistar um comportamento equilibrado nas emoções, mas escorrego nas minhas intensidades e não permito sufocar minhas verdades que escapam em palavras e gestos espontâneos.

Esses rompantes que insistem em me detonar, cada vez eu tento ser igual às outras pessoas, tudo me desaponta e explode.

Os sentimentos gritam aqui, fazem carnaval, saem na comissão de frente.

Sou assim; de frente. Nada de surpresas como alegorias de isopor gigantescas que se desmancham com a chuva.

Todas as alas carregam nas cores um pouco de mim e inúmeras pessoas desfilam comigo por aí.

Represento este carnaval todo: muita bagunça, frustrações, fogos, batuques, ansiedades e histórias.

Madrinha da bateria; eu determino o ritmo e mantenho os pés firmes sobre os saltos.

Há muitos anos venho ganhando nota 10 em harmonia e fantasia. E nota zero em romances perfeitos e mulher tom pastel.

É por isso que volto para cabaninha á beira-mar, no final de cada desfile. Desfilo para aguçar desejos e olhares;aplausos e vaias.

Devoro com gosto limites e tabus e deixo rastros de lantejoulas e plumas, mas não revelo o caminho correto pelo qual se chega á cabana. Lá ninguém entra sem ser convidado.

Carnaval é na avenida pra quem quiser ver; minha essência é confidencial.

Escrito por Ju Sfair às 14h55
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